Aguardando maiores detalhe do projeto atual, mas finalmente saiu....
Como eu tinha antecipado....
Cenário mais marcante da sofisticação das 3 primeiras décadas de Brasília, o Hotel Nacional renasce
Grupo Hoteleiro Bittar e Construtora Luner são os responsáveis pelo retorno do ícone

Um marco na história da capital e do País. O Hotel Nacional, muito mais do que uma hospedaria sofisticada, foi peça imprescindível na construção da identidade da capital, que, na época em que o projeto saiu do papel, tinha apenas um ano de vida. Em cima da terra vermelha batida do Cerrado, surgiam dez andares.
As trinta e cinco suítes em cada andar e uma vista privilegiada da Esplanada dos Ministérios tornou-se de cara um cartão-postal de Brasília. O status de ponto de encontro da sociedade brasiliense surgiu de forma natural.
No coração do Setor Hoteleiro Sul, além de políticos, diplomatas e personalidades que já tinham o destino certo da hospedagem, rainha Elizabeth II e o príncipe Philip, Jimmy Carter e Ronald Reagan, ex-presidentes dos Estados Unidos; Charles de Gaulle, da França; Mário Soares, de Portugal; Andrés Rodríguez, do Paraguai; Indira Gandhi, então primeira-ministra da Índia; Andrian Nikolayev e Pavel Romanovich Popovich, cosmonautas soviéticos, também passaram por lá — algo, até então, inédito no Planalto Central.
As suítes do Nacional também abrigaram ícones da música e da literatura brasileira, como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Sílvio Santos, Clarice Lispector, Tarcísio Meira e Antônio Olinto.
Para completar, a suíte presidencial do local foi palco de recepções, entrevistas e encontros políticos. Durante certo período, também foi moradia para senadores e deputados federais.
O empreendedor responsável por esse marco brasileiro foi o argentino José Tjurs, um taxista que morava em São Paulo. Então, por meio do presidente Juscelino Kubitschek, recebeu um terreno com mais de 70 mil metros quadrados. O governante também tentou ajudar Tjurs financeiramente. O resultado? Em menos de cinco horas, o hotel tornou-se praticamente um clube de luxo, algo comparável ao atual Rosewood, reduto da elite paulistana.
Ao fim do expediente no Congresso Nacional, os parlamentares seguiam para o Scotch Bar, no mezanino. O local, inclusive, ficou conhecido como Senadinho. O Nacional ficou conhecido por suas festas de Carnaval e por sediar edições do Festival de Cinema de Brasília.
Ano após ano, durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, diretores, atores, críticos e cineastas circulavam pelos corredores do local. John Travolta foi um deles. Além da piscina ficar repleta de artistas, festas super badaladas também tomavam conta do hotel e contaram, inclusive, com barracos e polêmicas, como o protagonizado pela ex-chacrete Rita Cadillac, que tirou a blusa e o sutiã.
Além das visitas temporárias, personalidades também fizeram do hotel seu lar. Itamar Franco morou alguns meses, enquanto o político José de Alencar ficou quase uma década por lá, em uma suíte máster, no sétimo andar.
A queda seguida pela ascensão
Quando os herdeiros de Tjurs assumiram os negócios, o declínio chegou com uma certa rapidez. Na década de 1980, cinco dos dez andares foram interditados provisoriamente em função do corte de gastos. Funcionários foram demitidos. Os clientes passaram a não se hospedar mais por ali.
A má gestão resultou no pedido de concordata à justiça em 1991, quando completaria três décadas de história. Em 1994, o empresário Wagner Canhedo, proprietário da Vasp, adquiriu o espaço. Dois anos se passaram, e o nome Tjurs voltou a aparecer por causa do suicídio do neto de José, Luiz Cláudio, na frente da noiva, a atriz Ana Paula Arósio.
Em 2007, 310 hóspedes foram despejados por causa de um episódio envolvendo a Securinvest Holdings S/A, que alegava um calote de R$ 46,5 milhões de parcelas, conseguindo na Justiça uma decisão de reintegração de posse.
Anos se passaram e o grupo enfrentou alguns problemas com a Justiça Trabalhista.
Foi em 2018 que o Hotel Nacional passou por um leilão. A vencedora foi a Incorp, arrematando o empreendimento por R$ 93 milhões. Contudo, os antigos donos só deixaram o espaço em 2020, depois de uma ordem de despejo da Justiça.
Durante o período em que ficou fechado, o projeto de reforma foi discutido com o Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan) e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Agora, após cinco anos desde que as portas foram fechadas, esse símbolo de exclusividade e elegância será reformado. Em outubro de 2025, o Nacional divulgou o projeto de reforma voltado para preservação da história arquitetônica, implantação de museu-hotel e modernização das instalações.
A Incorp — formada pelo Grupo Bittar e Luner, pioneiros no DF no ramo de hotelaria e construção. A empresa contratou a historiadora Joseana Costa Pereira para resgatar e documentar a história, enquanto os escritórios Anastassiadis Arquitetos e Dávila assinam os projetos arquitetônico e de interiores.
Ao GPS|Brasília, Saulo Mesquita, representante da Incorp, o principal desafio das equipes de arquitetura é realizar uma reinterpretação moderna, respeitando o passado.
“A volumetria do hotel será mantida. Foi realizada uma extensa pesquisa de materiais para que os elementos de fachada sejam mantidos o mais próximo possível aos originais. No entanto, internamente, o hotel precisa ser modernizado, até mesmo para se adequar às atuais normas de acessibilidade, mas sempre mantendo a inspiração e o orgulho do passado”, revelou Mesquita.
Ainda, parte da mobília, todas as obras de arte entre pinturas, gravuras e esculturas foram catalogadas e serão mantidas no Nacional. Haverá um espaço museu para contar a sua história.
“Nós esperamos trazer o hotel de volta não só para os turistas, mas principalmente para os brasilienses. Queremos que a população volte a frequentar os restaurantes, os bares, a piscina, que volte a utilizar os salões para fazer festas e casamentos, queremos que o hotel volte a servir Brasília”, finalizou Saulo.
Os dois grupos que formam a Incorp são de empresas familiares e pioneiras em Brasília, com milhões de metros quadrados construídos ao longo de mais de quatro décadas. Assim, o projeto significa não só um legado e uma continuidade, mas um verdadeiro agradecimento a Brasília.
Confira imagens do projeto atual do Hotel Nacional:
Fonte:
https://gpsbrasilia.com.br/cenario-mais-marcante-o-hotel-nacional-renasce/