Mobilidade urbana precisa melhorar
Segundo informações do DFTrans, há 2.600 ônibus da nova frota circulando em todo o Distrito Federal
Um problema constante na vida de quem mora em grandes capitais é o transporte. No Distrito Federal, essa realidade não é diferente e a população enfrenta dificuldades na hora de se locomover. Por conta disso, o próximo governador, Rodrigo Rollemberg (PSB), deve trabalhar duro para criar um modelo adequado de mobilidade urbana. O Distrito Federal possui 1.800 quilômetros de rodovias, todas sob circunscrição do departamento de Estradas e Rodagem (DER-DF).
Segundo informações do DFTrans, há 2.600 ônibus da nova frota circulando em todo o Distrito Federal, além de 450 ônibus de cooperativas que fazem o chamado serviço complementar (micro-ônibus). O DF também possui 40.350 quilômetros de metrô em operação, distribuídos em 24 estações. Porém, isso ainda não é o bastante e, durante os horários de pico, o trânsito é carregado e os ônibus e vagões do metrô andam lotados.
Na opinião de Paulo César Marques, doutor em Estudos do Transporte da UnB, é preciso que haja a priorização do transporte público para melhorar a mobilidade urbana da capital federal. “Não adianta aumentar a quantidade de ônibus. Para resolver os problemas que temos hoje, é necessário fazer uma reformulação e reestruturação de todo o sistema de transporte, observando todo o operacional”, analisou.
INTEGRAÇÃO
De acordo com o especialista, o princípio essencial para melhorar a mobilidade urbana é criar a integração do sistema de transporte público. “O sistema só vai melhorar depois que a integração funcionar de verdade, em todas as regiões administrativas. Não adianta fazer só em algumas, pois para criação do bilhete único, deve haver integração em todo o DF”, explicou. Marques também defende que o GDF deve assumir a liderança do transporte na região do Entorno.
“A Região Metropolitana deve ter o sistema integrado com o do Distrito Federal, pois a maior parte da população trabalha aqui. Para isso, deve-se ter um arranjo entre os governos do DF, Goiás e Minas Gerais. Ou seja, tem que ter uma integração institucional primeiro e depois a criação de agências locais nos municípios do Entorno”, sugeriu. Outro ponto que Marques lembrou foi com relação ao Metrô-DF. Segundo ele, é necessário levá-lo até a Asa Norte e melhorar a operação interna, pois mesmo nos horários de pico os intervalos entre os trens são longos.
O especialista também lembrou de um possível problema a longo prazo. “O cumprimento das composições de todos os trens possui apenas quatro carros (vagões), enquanto em todas as outras cidades do Brasil e do mundo, o metrô é composto por seis carros. Não tem sentido manter o sistema assim, é preciso ampliar e para isso tem que haver investimento pesado”, avaliou.
PLANO DE MOBILIDADE URBANA
Marques se mostrou preocupado com a falta de interesse do GDF, nos últimos três anos, na criação do Plano de Mobilidade Urbana. “Desde janeiro de 2012 o governo federal transformou em Lei a obrigatoriedade de criar um plano de mobilidade urbana com validade de três anos. Em abril, o prazo acaba e os municípios e cidades que não entregarem isso vão perder todas as verbas federais destinadas à mobilidade. O plano de mobilidade daqui nem começou e o ano está acabando”, alertou.
NÚMEROS
O Metrô-DF possui 24 estações operacionais e o mesmo número de trens, e cerca de 140 mil pessoas utilizam o sistema diariamente. Para quem utiliza ônibus e carro, as estradas mais movimentadas do DF são EPTG, EPNB, Eixão e Estrutural. De todas as vias da capital, 15 pontos são monitorados pelo DER-DF por meio de câmeras. Além disso, o DER fiscaliza por meio das viaturas todas as rodovias distritais
Durante a campanha, Rollemberg assumiu o compromisso de criar e implantar o sistema de bilhete único para o transporte público. Além de promover o bom funcionamento do sistema, desenvolver a integração, reduzir o tempo de espera e garantir a mobilidade urbana. O novo governador prometeu, ainda, levar o Expresso DF até a saída norte e desenvolver corredores de transporte público integrando diversas modalidades de transportes, ligando os centros urbanos de Brasília e Entorno, favorecendo a criação e o fortalecimento de vínculos funcionais entre as cidades. Além de desenvolver ligações ferroviárias para transporte de passageiros e cargas, “estimulando o desenvolvimento e a integração regional, por meio da provisão de uma infraestrutura eficiente de transporte”.
Expresso DF
De acordo com o DFTrans, o sistema BRT circula com 77 veículos atualmente. Quando o sistema estiver em pleno funcionamento, serão 100 ônibus articulados. Em média, 100 mil pessoas utilizam o sistema, que até 31 de outubro estava operando gratuitamente. Desde o último sábado (1º), as linhas alimentadoras, que levam os passageiros até os terminais de Santa Maria e do Gama começaram a cobrar tarifa no valor de R$ 2,00. A ideia é os alimentadores cobrarem R$ 2,00 e quando os passageiros forem pegar os articulados, que só funcionarão com cartão, pagar o R$ 1,00 restante. Entretanto, ainda não há previsão de quando a cobrança nos ônibus articulados começarão.
Alguns passageiros não gostam de utilizar o Expresso DF, mas são obrigados por causa da retirada de mais de 16 linhas de ônibus de cada uma das cidades. Esse é o caso da secretária Lavínia Oliveira, 34 anos. “Eu antes pegava o ônibus que ia direto pelo L2 Sul, mas agora tiraram essa linha. Por causa disso, perco muito mais tempo, pois tenho que ir até à Rodoviária e lá pagar mais um circular. Preferia ir direto, era mais rápido e econômico”, reclamou.
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