Agronegócio no DF alcança índices comparáveis aos dos Estados Unidos
O DF tem a menor área fértil entre os principais polos agrícolas brasileiros, mas, ainda assim, pelas condições climáticas e de solo, produtores conseguem alcançar altos índices de produtividade
Foto: Igo Estrela/ObritoNews/Fato Online

DF também aparece no ranking de exportações do agronegócio no país
Longe dos ministérios e dos tribunais, o agronegócio do Distrito Federal cresce e se consolida como um dos mais rentáveis do país. Mesmo em espaço limitado – e para surpresa de boa parte dos brasilienses –, produtores comemoram recordes de safras, sem fazer estardalhaço.
O DF tem a menor área fértil entre os principais polos agrícolas brasileiros: apenas 119,6 mil de hectares cultivados. Ainda assim, pelas condições climáticas e de solo, além da ajuda da tecnologia, produtores conseguem alcançar índices de produtividade comparáveis até mesmo ao das regiões mais férteis dos Estados Unidos, por exemplo.
Embora não represente nem 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto) local, o setor agropecuário brasiliense envolve cerca de 30 variedades de grãos, cereais, frutas e hortaliças, espalhados por lavouras concentradas nas regiões de Planaltina e Brazlândia. O DF já é autossuficiente, por exemplo, em pimentão, morango, goiaba e folhosas em geral.
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O DF já conseguiu autosuficiência em diversos produtos
Do DF para o mundo
A pouca expressividade do campo candango contrasta com o potencial da agroindustrialização nos arredores da Capital Federal. Não à toa, produtores locais exportaram, somente no primeiro semestre deste ano, o equivalente a US$ 100,2 milhões, segundo dados do AgroStat (Sistema de Estatísticas de Comércio Exterior do Agronegócio Brasileiro) levantados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento a pedido do Fato Online.
As carnes compõem a maior parte dos produtos exportados, com cerca de 58% do total, acompanhadas da soja, com quase 40% do montante enviado ao mercado externo. O restante inclui produtos florestais e café.
No ranking nacional das exportações do agronegócio, o DF aparece na 20ª colocação, à frente das seguintes unidades da Federação: Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amapá, Sergipe, Paraíba, Acre e Roraima.
Há dois meses, o Fato Online contou a história do aposentado Carlos Coutinho, 50 anos, que produz café na região de Sobradinho e o exporta para a Itália. São cerca de 1,4 mil sacas por mês. “O diferencial é a qualidade. Essa região tem uma qualidade especial para o café", ressaltou, à época.
Solo fértil
De fato, o solo brasiliense impulsiona a produção. A altitude elevada – em média, 1 mil metros acima do nível do mar – e a variação entre chuva e seca contribuem para o sucesso das lavouras, consideradas altamente sustentáveis e, portanto, um modelo de eficiência para a agropecuária brasileira.
“Mesmo pequeno, o agronegócio do DF é o bambambam do Centro-Oeste brasileiro. Falta pouco para gente virar aquele sucesso total”, afirma o diretor da Fazenda União, Vilson Thomas, 56 anos, da segunda geração de gaúchos que desbravaram os arredores da Capital Federal.
Com sede às margens da DF-130, no Núcleo Rural Tabatinga, em Planaltina, o conglomerado familiar administrado por Vilson ilustra a força do campo brasiliense. O faturamento das três empresas do grupo não para de crescer. Dos 5 mil hectares distribuídos por oito fazendas, brotam milho, soja, feijão e sorgo armazenados, manipulados e distribuídos para atacados do DF e Entorno e para cidades das regiões Norte e Nordeste.
Posse da terra
Por meio do investimento em tecnologias para o plantio, colheita e irrigação, Vilson e tantos outros produtores do DF têm conseguido alavancar o plantio e, consequentemente, a rentabilidade. O avanço só não é maior por conta de entraves históricos, como a falta de titularidade das terras.
Há pelo menos três décadas quem planta e colhe em solo candango, sem deixar as safras se perderem, escuta a promessa de que terá, enfim, a posse da terra. Por ora, o documento que os produtores possuem não vale como garantia real na busca de financiamentos bancários. “Somos campeões de produtividade, mas até hoje estamos à mercê desse problema. O grande entrave ainda é a titularidade da terra”, insiste Vilson.
No papel, os agroindustriais do DF não são donos da terra ocupada legitimamente. A insegurança jurídica claramente dificulta os empréstimos bancários, apesar da boa vontade de algumas instituições, e impede um avanço mais veloz do agronegócio na região.
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A insegurança jurídica prejudica o produtor do DF
Mais imposto
Outro problema enfrentado atualmente pelos produtores locais é o fim do benefício fiscal que permitia, até agosto do ano passado, a cobrança de uma alíquota única de 1% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) na comercialização da safra. Como o incentivo não tinha aprovação do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), o benefício foi cancelado por uma ação do MP (Ministério Público).
As alíquotas saltaram para 12%, no caso de venda para outras unidades da Federação, e para 17%, nas negociações no próprio DF. Em Goiás, por exemplo, a alíquota cobrada é de 3%, o que torna o estado vizinho mais competitivo. O Fato Online apurou que a mudança nos percentuais estimulou a sonegação entre produtores brasilienses.
TV Fato
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A força do agronegócio no DF
http://fatoonline.com.br/conteudo/6355/a...os-estados-unidos?or=he-bra&p=de&i=2&v=1