Invasor agora usa contêiner
Foto: Roberta Pinheiro

Altiplano Leste: contêiner conta com energia elétrica e caixa d'água e funciona como residência.
A Polícia Civil e a Agência de Fiscalização investigam prováveis invasão e parcelamento irregular de solo em área próximo do Condomínio Lago Sul. Os ocupantes usam instalações, que funcionam como residência, e afirmam que são proprietários do terreno a há mais de 20 anos...
Há anos, o combate à indústria da grilagem de terras no Distrito Federal é feito pela Polícia Civil do DF, pela Agência de Fiscalização (Agefis) e pela Secretaria da Ordem Pública e Social do DF (Seops). Agora, os antigos barracos de tapume foram substituídos por contêineres —pequenas caixas de metal que ficam camufladas no meio dos terrenos. A nova suspeita de parcelamento irregular do solo foi verificada pelo Correio na área do Altiplano Leste, próxima ao Condomínio Lago Sul, no Lago Sul.
No local, além da vegetação queimada, existem três contêineres, e dois deles funcionam como residência, com luz e caixa d’água. O outro estava fechado. Um dos moradores esclareceu que o terreno era da família havia mais de 20 anos, mas somente agora, há dois meses, eles decidiram tomar conta. Sobre a estrutura usada como casa, informou que a falta de dinheiro naquele momento fez a família optar por uma solução mais barata. Além disso, ao longo do terreno é possível ver demarcações de lotes.
Os telefones fixados no contêiner facilitaram o contato da reportagen. O pai do proprietário respondeu que era dono da área há anos e que a estrutura funcionava como apoio para uma obra que será iniciada em breve.
A Secretaria da Ordem Pública e Social do DF (Seops) informou, por meio da assessoria de imprensa, que recebeu a denúncia de ocupação irregular do solo na região do Altiplano Leste, próximo ao Condomínio Lago Sul, pelos meios de comunicação. Entre esta semana e a próxima, uma equipe averiguará a situação do local. De acordo com o órgão, tudo indica que se trata de uma área irregular, mas qualquer ação será tomada apenas após análise. Confirmada a suspeita de invasão, será necessário um equipamento específico para lidar com os contêineres.
Desde 2007, o GDF e o Ministério Público firmaram um termo de ajustamento de conduta que tornou irregular qualquer construção recente na área. O que foi construído em anos anteriores (antes de 2007) passaria por processo de regularização. A pasta informou que, de janeiro a julho deste ano, realizou 18 operações na região do Paranoá. Ao todo, foram 39 casas derrubadas, seis alicerces retirados e 27 quilômetros de muros e cercas destruídos.
Investigação
A suspeita de parcelamento irregular do solo na área do Altiplano Leste é investigada pela Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Pública (Dema). Segundo o delegado-chefe Ivan Dantas, existe uma força-tarefa para concluir todos os inquéritos policiais referentes à região, incluindo a expansão do Condomínio Mini-Chácara 1 e Mini-Chácara 2. Além da Operação Faraó deflagrada do ano passado (Memória), que prendeu 29 pessoas e aprendeu 15 veículos, mais fatos chegam à delegacia.
Ao fim, os oficiais vão encaminhar o material ao Ministério Público do DF. “O cidadão que quiser fazer a denúncia anônima pode ligar para o 197, da Polícia Civil. Cada denúncia será encaminhada à Delegacia do Meio Ambiente e investigada pela sessão responsável”, explicou. Dantas esclareceu que a quadrilha presa na Operação Faraó não é a mesma da ocorrência verificada pela reportagem do Correio. “São grupos diferentes, mas, nos dois casos, as atividades continuam e novas prisões poderão ser feitas”, disse.
Memória
Quadrilha presa em 2013
A partir de informações privilegiadas de dentro do GDF, a quadrilha responsável pela grilagem de terras do Condomínio Mini-Chácaras, na área do Altiplano Leste, no Lago Sul, agia para impedir ações de fiscalização. O grupo de grileiros foi desmantelada em 5 de junho de 2013 pela Dema, após cinco meses de investigação. A Operação Faraó, que ganhou esse nome pelo grande volume de dinheiro movimentado, resultou na prisão de 29 pessoas e apreensão de 15 veículos. Parte dos acusados foi encontrada no Mini-Chácaras. Outra estava na Asa Sul, em Vicente Pires, no Paranoá e no Entorno do DF. A área grilada pertencia a Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap). Os lotes da expansão eram vendidos por valores que chegavam a R$ 120 mil. Os presos foram indiciados por parcelamento irregular do solo, invasão de área pública, dano ambiental, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
http://www.correiobraziliense.com.br/app...agora-utilizam-conteiner-como-casa.shtml