DF terá 600 km de ciclovias e ciclofaixas até 2014
Quando projeto for concluído DF terá mais ciclovias do que Amsterdã, capital da bicicleta
Foto: Divulgação
Ir para o trabalho sem ter de entrar em ônibus lotado ou enfrentar os grandes engarrafamentos é a vontade de muitos brasilienses. Para isso, alguns ciclistas aderiram às ciclovias como meio de deslocamento até o serviço. Para esse desejo se tornar realidade, já que hoje o acesso às ciclovias ainda é restrito, o governo garante que até o final de 2014 o Distrito Federal terá 600 quilômetros de ciclovias.
Se deslocar de bicicleta já é realidade para o servidor público Vitor Henrique Cunha, de 28 anos, que pedala 21 km, pelo menos três vezes por semana de Sobradinho, região administrativa do DF, até seu trabalho, na Asa Norte, área central de Brasília, utilizando a “magrela”. Segundo ele, essa é uma oportunidade de melhorar a saúde e de se livrar das horas que ficaria no trânsito. Cunha concorda que, sem as ciclovias prontas, ainda é arriscado pedalar.
— Há um risco grande pedalar entre os carros, mas quando todas as ciclovias estiverem prontas, acho que vai melhorar e muito.
Apesar de os ciclistas usarem as ciclovias no Distrito Federal, a Secretaria de Obras informa que elas ainda não estão prontas, porque nos trechos finalizados ainda falta sinalização. De acordo com o secretário de obras do Distrito Federal, Davi de Matos, neste governo já foram gastos R$ 33 dos R$ 121 milhões que devem ser investidos nas ciclovias.
A promessa do GDF é de que até julho deste ano, mais 113 km de ciclovias fiquem prontas, com uma verba de R$ 30 milhões que já foi liberada. Com isso, ainda faltam 258 km de pista destinada a bicicletas para serem concluídas até final de 2014, através do programa Acelera DF, lançado recentemente pelo governador Agnelo Queiroz.
De acordo com o secretário de Obras, Davi de Matos, serão construídas ciclovias em Águas Claras, Riacho Fundo II, Park Way, Samambaia, Guará, Brazlândia, Planaltina, São Sebastião, Sobradinho e Taguatinga.
— Brasília já possui 150 km de ciclovias e mais 79 km de ciclofaixas, num total de 229 km. Nossa meta é chegar a 600 km de pista destinadas a bicicletas até o final de 2014. Algumas obras estão sendo feitas, como nas Asas Sul e Norte, UnB e Esplanada. Essas devem ser entregues até julho deste ano.
No plano piloto, as obras dass ciclovias que passam pelas superquadras e entrequadras comerciais já estão em andamento.
— Alguns trechos das ciclovias do Plano Piloto dependiam, até recentemente, de uma definição quanto aos pontos de interseção das quadras com as entrequadras. Detran (Departamento de Trânsito), Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil) e o Comitê de Ciclovias resolveram a questão e as empresas já estão trabalhando dentro das alternativas apresentadas. A última etapa então será a pintura e a colocação da sinalização vertical.
Do total de ciclovias construídas pela Secretaria de Obras, o Sudoeste possui 8 km, Recanto das Emas, 33 km, Santa Maria, 18 km e Ceilândia, 31 km, regiões administrativas do DF. De responsabilidade do DER (Departamento de Estrada e Rodagem), há 61 km de ciclovias e 79 km de ciclo faixas prontas.
As ciclovias só ficarão 100% prontas após receberem as pinturas e sinalizações. O órgão tem um mapeamento das obras que precisam de reparos, que logo devem ser realizados.
Na visão do presidente da ONG Rodas da Paz, Jonas Berfute, não basta só construir ciclovias e ciclofaixas se não houver campanha educativa aos motoristas.
— Mesmo que o governo não tenha entregue as ciclovias 100% prontas, alguns ciclistas já as utilizam. Então, uma campanha tem de ser lançada com urgência.
O presidente da ONG, que é um dos moradores de Brasília que utiliza a bicicleta como meio de transporte para o trabalho, diz que algumas ciclovias não chegam até pontos turísticos e órgão públicos.
— Eu, por exemplo, saio da 404 Norte e vou até o Setor Bancário de bicicleta todos os dias. No final da minha quadra, eu tenho de descer do veículo porque a ciclovia acaba. Aí ando até o outro lado e continuo o percurso.
Para Berfute, a ciclovia é um projeto importante de inclusão de bicicletas como veículo no trânsito.
— Também tem de ter um plano adequado para receber esses veículos, como estacionamentos próprios para bicicletas.
Um grande bicicletário no centro de Brasília(abaixo do Conic e do Shopping Conjunto Nacional) já está em estudo pelo GDF, como explica o coordenador de mobilidade urbana por bicicletas, da Casa Civil do Distrito Federal, Paulo Alexandre Passos.
— Um estudo já foi realizado no local e aprovado. Agora, estamos elaborando o edital de operação. Ainda não sabemos quanto vai ser gasto.
De acordo com Paulo, como o espaço é totalmente fechado, eles terão de abrir uma ventilação no local. Quando estiver pronto, terá um funcionário 24 horas responsável por pegar as bicicletas.
— Como o serviço será cobrado, a pessoa poderá pagar mensalmente pela guarda do veículo ou estará incluso no vale transporte.
Saúde
Além de melhorar a qualidade do ar e o trânsito da capital, o descolamento por bicicletas melhora a saúde das pessoas. Essa é a opinião do técnico da Seleção Brasileira Paraolímpica, Raimundo Tadeu Martins, para aqueles que adotam a bike como meio de transporte.
Formado na UnB (Universidade de Brasília) desde 1979, em Educação Física, Raimundo afirma que a bicicleta é o primeiro exercício que ele recomenda para as pessoas.
— Ela é uma atividade aeróbica. Se você pedalar durante alguns minutos terá vários benefícios. Entre eles a melhoria da capacidade cardiorrespiratória e a queima de gorduras. Quando a pessoa se locomove de bicicleta, ela contribui para a diminuição de poluentes, que são lançados dos veículos para o ar.
Referência para o Brasil
Com o aumento do uso da bicicleta batendo na porta das cidades brasileiras, muito se discute sobre as premissas e características de uma ciclovia perfeita, que permita aos ciclistas irem e virem em segurança.
Para o urbanista Ricardo Tchê Corrêa, fundador da TC Urbes, empresa especializada na humanização de cidades, sinalização, largura ideal, integração com outras vias e regras para conversão dos carros são apenas alguns dos tópicos postos em discussão.
— Antes de tudo, temos a definição de cidade ciclável (sic), onde a bike tem segurança para ir de qualquer ponto a qualquer ponto, assim como o pedestre e o carro.
Ele exemplifica que cidades europeias, como as alemãs, holandesas e dinamarquesas, são excelentes exemplos de desenho e democracia.
— Antes de falar sobre ciclovia ou ciclofaixa, é preciso entender que devemos conseguir ir de bike pra qualquer lugar, independente da estrutura da cidade.
Em outras cidades do mundo, como em Amsterdã, na Holanda, o transporte ciclístico é utilizado pela maioria da população. De acordo com o Movimento Conviva, que promove o trânsito pacífico entre bicicletas, pedestres e veículos automotores, Amsterdã é a cidade mais popular em bikes.
Segundo o movimento, cerca de 50% dos deslocamentos da cidade holandesa são feitos de bicicleta, nos mais de 400 km de ciclovias.
O Movimento Conviva afirma que Amsterdã é uma cidade segura de se pedalar. O período entre 1986 e 1991 registrou o índice de 68 bicicletas para cada 100 habitantes. O número aumentou para 73 (de 2005 a 2008), segundo o Departamento de infraestrutura, transporte e tráfego de Amsterdã. Na cidade há sinalização para bikes, gestos comunicativos – direita, esquerda, parando -, buzinas e outros.
Em Bogotá, capital da Colômbia, até dezembro do ano passado, a cidade contava com 344 quilômetros de ciclovias. De acordo com o Movimento Conviva, com mais de 500 mil pessoas usando a bike para se locomover, foi registrada redução de 13% nas emissões de gás carbônico.
http://www.maisbrasilia.com/mb2011/notic..._ciclovias_e_ciclofaixas_at%E9_2014.html