Estacionamento subterrâneo da Esplanada deve piorar o trânsito de Brasília, diz especialista
Anunciado para 2014, estacionamento ainda não tem previsão de sair do papel
Uma das manchetes da estreia do portal R7 DF, no dia 21 de abril de 2012, dizia que “Estacionamentos subterrâneos da Esplanada dos Ministérios devem ficar prontos para a Copa”. Um ano após a publicação da reportagem, o projeto, polêmico, ainda não tem previsão de sair do papel.

Com 340 mil m² de área construída, estacionamento subterrâneo oferecerá cerca de 10 mil vagas na Esplana dos Ministérios
O atraso se deve à finalização do modelo econômico do empreendimento, que terá investidores privados por meio de uma PPP (Parceria Público Privada). Enquanto o modelo é discutido, especialistas criticam a iniciativa.
Para a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (Universidade de Brasília) Cristiane Guinancio, o déficit de vagas de estacionamento é reflexo de uma decisão política que privilegiou o aumento de veículos individuais circulando na cidade. Deste modo, segundo ela, a construção do estacionamento subterrâneo não resolve o problema na origem e continua a privilegiar o uso do veículo individual.
De acordo com ela, esse tipo de solução sobrecarrega o sistema viário não só na região central de Brasília como nas outras regiões do DF. O estacionamento, portanto, contribuiria para o aumento do trânsito em toda a capital.
Para a professora, a escolha incentiva a compra e a produção de carros, causando impactos ambientais, à medida que aumenta o consumo energético e a emissão de CO2 na atmosfera.
— Então será que a verdadeira solução não seria um transporte público de qualidade? Assim teríamos uma otimização da infraestrutura urbana disponível. E muitas pessoas deixariam os seus carros em casa e usariam mais nos finais de semana.
Cristiane alerta ainda que a própria construção do estacionamento também causa grande impacto ambiental ao impermeabilizar grande superfície de solo.
— Há grande impacto na execução da obra, com grande consumo de energia e material de jazidas de minérios. O próprio cimento causa grande impacto ambiental.
A estrutura do estacionamento ocupará área de 340 mil m² e oferecerá cerca de 10 mil vagas, distribuídas em quatro andares. Estudos realizados enquanto o projeto era desenvolvido apontam a necessidade de 7,5 mil vagas nas proximidades do Congresso Nacional.
Para o pesquisador Artur Morais, esse número de vagas a ser criado e o custo que elas representarão são relevantes para a avaliação da pertinência do projeto. Ele acredita que o modelo de PPP é o mais adequado para a obra, uma vez que, segundo ele, o governo deve priorizar seus esforços em transporte público.
— A administração jamais deveria investir em projetos que beneficiem a locomoção por meio de automóveis. Todos os investimentos devem focar o transporte coletivo, que favorece as pessoas que mais necessitam.
Atraso
No último dia 31 de março, o governador Agnelo Queiroz anunciou que o edital de licitação da obra deveria ser lançado no começo de maio deste ano. O anúncio foi feito no Congresso Nacional, onde o Agnelo se reuniu com o ex-presidente do Senado, José Sarney, e com o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia.
O governador explicou que a verba para construir a obra partirá da iniciativa privada, que depois vai explorar o serviço, cobrando o estacionamento. Esse módulo de operacionalização é conhecido como PPP (Parceria Público Privada).
De acordo com o secretário-executivo do Conselho Gestor das PPP, Márcio Galvão,o projeto de arquitetura que foi apresentado no Congresso já está pronto e que, na época, o GDF (Governo do Distrito Federal) aguardava a finalização do estudo de modelagem econômica e financeira do estacionamento.
— A modelagem já foi apresentada, mas nós não concordamos com alguns pontos e pedimos uma revisão desse projeto.
Segundo ele, um projeto desse porte tem de ser autossustentável quando estiver pronto. Isto é, precisa garantir o retorno do investimento na construção que partirá da empresa que for administrar o estacionamento.
— Brasília tem essa cultura de não se cobrar estacionamento em espaços públicos, com o a Zona Azul, por exemplo. Então esse projeto precisa ter uma demanda por utilização das vagas que gere uma renda que pague todo aquele investimento.
O secretário afirmou ainda que, neste momento, a Secretaria de Governo está realizando uma nova pesquisa de mercado que vai levantar qual seria a aceitabilidade da sociedade, o valor mínimo a ser pago por hora, o valor do aluguel mensal das vagas.
— Essa mudança deve ser acompanhada da melhoria das condições do transporte público, para existir também a opção de não usar o carro.
De acordo com Galvão, o projeto prevê a implementação de um meio de transporte leve, que fará a ligação entre rodoviária e Esplanada, passando por todos os pontos do estacionamento. Esse transporte serviria tanto para os motoristas quanto para os pedestres que precisam se deslocar da rodoviária para a Esplanada.
— Já foi pensando um veículo leve sobre trilhos ou sobre pneus, mas o modelo ainda não foi definido.
Após a conclusão da modelagem econômica e financeira, o edital da licitação para construir o estacionamento deve ser publicado em 90 dias, seguindo as regras do TCDF (Tribunal de Contas do Distrito Federal). Nesse prazo, o projeto é analisado pelo tribunal, Ministério Público e Procuradoria Geral do DF.
Ao mesmo tempo, serão realizadas audiências públicas e o projeto fica disponível para consulta pela sociedade por no mínimo 30 dias. Iniciada a construção, as obras devem durar, no mínimo, de dois a três anos.
Segundo o subsecretário, os projetos de estacionamentos subterrâneo nos setores comerciais Sul e Norte, em fase menos avançada, estão sendo executados paralelamente pelo GDF.
— Alguns projetos já foram apresentados e nós estamos conversando com a Administração de Brasília, Secretaria de Obras e Secretaria de Transportes.
http://noticias.r7.com/distrito-federal/...-brasilia-diz-especialista-20130421.html