Dona da Bráz e do Pirajá sai de São Paulo para iniciar expansão nacional

Depois de construir em São Paulo um portfólio que inclui Bráz Pizzaria, Pirajá, Astor, Lanchonete da Cidade e Bar Original, a Cia. Tradicional de Comércio começa uma nova fase de crescimento.
O grupo, que completa 30 anos em 2026, prepara sua expansão para outras regiões do Brasil.
Brasília e Belo Horizonte foram escolhidas como os primeiros mercados prioritários.
A entrada será conduzida inicialmente pela Bráz Pizzaria, uma das marcas mais conhecidas do portfólio. A unidade de
Brasília já está em obras e tem abertura prevista para o último trimestre de 2026.
Belo Horizonte deverá receber a operação na sequência. A companhia também pretende retomar o crescimento no Rio de Janeiro, onde mantém uma casa aberta desde 2007.
Grupo atende 350 mil clientes por mês
A Cia. Tradicional reúne atualmente 49 lojas e mais de 50 operações, considerando espaços que concentram mais de uma marca. A estrutura inclui cerca de 1,6 mil funcionários, seis marcas principais e quatro submarcas.
Segundo estimativas da própria empresa, aproximadamente 350 mil clientes passam pelas casas a cada mês, volume próximo de 5 milhões de pessoas por ano. Por ser uma companhia de capital fechado, o grupo não divulga dados de faturamento.
A gestão foi profissionalizada ao longo dos últimos anos. A operação executiva está sob responsabilidade de um diretor-geral e outros cinco diretores, enquanto os cinco sócios fundadores passaram a integrar o conselho de administração ao lado de membros externos.
Expansão marca o terceiro ciclo da companhia
Ricardo Garrido, sócio-fundador da Cia. Tradicional, divide a trajetória do negócio em três etapas.
Nos primeiros 15 anos, o grupo concentrou esforços na criação das marcas e no teste de diferentes formatos. Foi nesse período que a empresa avaliou quais conceitos funcionavam melhor em ruas, bairros e shopping centers.
Na segunda fase, a prioridade foi ampliar as bandeiras com maior potencial, ainda com forte concentração no mercado paulista. Agora, a companhia pretende levar esse repertório a outras capitais.
“Consideramos que estamos abrindo praticamente um terceiro ciclo do nosso trabalho”, afirmou Garrido em entrevista à Bloomberg Línea.
Apesar da ambição nacional, a expansão será gradual. O grupo pretende abrir uma unidade por vez, entender o comportamento de cada mercado e somente depois avaliar a chegada de outras marcas.
“Somos um pouco mais conservadores nesse sentido, muito em prol da qualidade do nosso padrão operacional, que é bastante exigente. Então, a gente vai devagar”, disse o empresário.
Brasília será o primeiro teste fora do eixo atual
A unidade de
Brasília será usada para avaliar a recepção da marca em um mercado no qual a empresa nunca operou.
A escolha pela Bráz Pizzaria busca reduzir o risco da entrada. A bandeira está entre as mais antigas e consolidadas do grupo e possui um modelo já testado em diferentes endereços. O plano é repetir a estratégia em Belo Horizonte antes de considerar a chegada de marcas como Pirajá, Astor ou Lanchonete da Cidade.
O grupo também avalia voltar a expandir no Rio de Janeiro. A operação carioca teve o crescimento interrompido durante a pandemia.
Para Garrido, o tamanho do mercado brasileiro torna inviável uma expansão rápida sem comprometer o padrão de atendimento.
Marcas compartilham estrutura, mas mantêm identidade
A Cia. Tradicional opera conceitos distintos, que incluem pizzaria, botequim, hamburgueria, brasserie e coquetelaria. Para administrar essa diversidade, o grupo mantém um back-office compartilhado para áreas como recrutamento, treinamento, custos e princípios de hospitalidade.
Cada marca, no entanto, possui estruturas próprias de gastronomia, marketing e comunicação. Também há profissionais criativos dedicados às diferentes bandeiras.
“Vamos dizer, 30% a 40% do que é feito no Original é diferente do que é feito no Pirajá”, afirmou Garrido.
As lojas contam ainda com gerentes, cozinhas e equipes próprias, com liberdade para adaptar parte da execução ao perfil do público local.
“A marca e a empresa pensam de uma maneira mais global e o relacionamento com o cliente e a execução de tudo o que a gente faz é totalmente local”, explicou.
Portfólio nasceu para acompanhar diferentes ocasiões
A decisão de criar várias marcas, em vez de repetir um único conceito, nasceu da leitura do comportamento dos consumidores nos anos 1990. A companhia buscava atender o mesmo cliente em diferentes momentos da semana.
Segundo Garrido, uma pessoa que frequentava o Bar Original durante a semana poderia procurar a Bráz Pizzaria com a família no sábado. Essa estratégia permitiu que o grupo ampliasse sua presença sem depender do crescimento de uma única bandeira.
A filosofia operacional também foi construída a partir do contato direto com os frequentadores.
“Esse mercado é sobre cuidar das pessoas. Não é sobre comida e bebida. Comida e bebida é um combustível para você cuidar bem de um cliente”, afirmou o sócio-fundador.
Fonte:
https://businessmoment.com.br/cia-tradicional-expansao-nacional/?amp=1