Park Way: implantação de lotes comerciais divide moradores

Os grupos das redes sociais dos moradores do Park Way mudaram de tom. No lugar da troca de dicas de hortas e de prestadores de serviços, cultivo de plantas, e, claro, olho vivo na segurança do bairro, o tema agora é “Comércio” ou “Não Comércio”. A conversa esquentou e tem tomado conta das preocupaçoes comunitárias.
Por Chico Sant’Anna
O clima está no estilo das relações Rússia-Ucrânia. A tramitação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial – Pdot caiu como um torpedo na comunidade dos moradores do Park Way. Tradicionalmente, análises de leis que tratam do uso, da ocupação e do ordenamento do solo na Capital Federal antepõem a cidadania e o poder público, que historicamente tem se posicionado mais favorável aos interesses da indústria imobiliária do que ao bem estar dos moradores. A questão explosiva é a criação, ou não, de lotes destinados a estabelecimentos comerciais naquela Região Administrativa.
O debate – se é que pode ser denominado como debate – já saiu das redes sociais e ganhou visibilidade nas ruas do Park Way. Outdoors contra e a favor da implantação de comércio local já são visíveis nas vias internas do bairro. Os defensores do comércio alegam que serão apenas três pontos – ilhas comerciais como eles denomina, – e que será tudo planejado para evitar atividades econômicas insalubres, poluentes tanto para a natureza, quanto para o ar e o silêncio.
Os contrários à implantação de comércio lembram que no Park Way não coleta e tratamento de esgoto e que o bairro está inserido na APA Gama-Cabeça do Veado, responsável por três em cada dez litros d’água que chegam ao Lago Paranoá. Implantar comércio nessas condições ignificaria contaminar o lençol freático e, consequentemente a água que os brasilienses consomem.

Um novo shopping, denominado originalmente de Sun Park City Center, está sendo construído na denominada Cidade Aeroportuária. Os Planos de expansão da InfraAmérica compreendem o avanço sobre uma grande área de cerrado ainda virgem, o que pode afugentar ainda mais animais e piorar o nivel deruídos, já que a mata abafa grande parte do barulho dos aviões.

A principal vítima do crescimento urbano do Park Way tem sido a fauna. Cenas de tamanduás, raposas e até mesmo onça sussuarana atropeladas na foram registradas pelas câmeras dos moradores, que reclamam às autoridades para que sejam instaladas passagens seguras para a fauna.
O projeto urbanístico do Park Way não prevê lotes comerciais. Hoje, o comércio é provido pela Vargem Bonita, um núcleo agrícola inserido na RA; pela Feirinha da Quadra 14, que acontece das quartas às sextas-feiras; e pelo Núcleo Bandeirante que é a cidade mãe, da qual o Park Way ficou autônomo em 2003.
Há ainda um shopping, denominado originalmente de Sun Park City Center, que está sendo construído pela Inframérica próximo ao Balão do Aeroporto, rota da grande maioria dos moradores do Park Way.
A principal vítima do crescimento urbano do Park Way tem sido a fauna. Cenas de tamanduás, raposas e até mesmo onça sussuarana atropeladas na foram registradas pelas câmeras dos moradores, que reclamam às autoridades para que sejam instaladas passagens seguras para a fauna.
Temor
Desta forma, qualquer criação de lote para instalação de comércio representará em desmatamento, com a retirada de vegetação original do cerrado, e impermeabilização do solo. A maioria de áreas não edificadas hoje no Park Way estão classificadas como locais de recarga hídrica e-ou zona de transição da vida silvestre.
E aí, um segundo temor. O Park Way ainda é rico em fauna silvestre. Lobos guarás, tamanduás, raposas, cachorros do mato, capivaras, bicho-preguiça, furão e uma infinidade de aves são cotidianamente avistados pelos mais de 25 mil moradores do Park Way. Rotineiramente, as matas do bairro são utilizadas pelas autoridades ambientais para reintrodução de animais silvestres. Que futuro teria essa fauna, com toda a externalidade que o comércio tende a provocar? Indagam moradores. Essa é uma questão real. No cotidiano do bairro é possível avistar gaviões carcarás fuçando no lixo, ao invés de caçar como tradicional ave de rapina.
Fonte:
https://chicosantanna.wordpress.com/2025...ao-de-lotes-comerciais-divide-moradores/